ENERGIA COMPARTILHADA

Eduardo Moreira Alves e Simone Cortezão

No trabalho Energia compartilhada os artistas partem do contexto geral dos sistemas de produção e de distribuição de energia elétrica, que no caso brasileiro é principalmente produzida por usi- nas hidrelétricas e distribuída em cada Estado por empresas públicas, com os custos repassados conforme o consumo das pessoas. Atuando crítica e criativamente sobre esse contexto, e numa inversão de escala, os artistas desenvolvem um equipamento móvel, com placas fotovoltaicas, capaz de alimentar aparelhos eletro-eletrônico de baixo consumo energético durante algumas horas por dia, e de forma gratuita. Procuram situações urbanas situadas entre o público e o pri- vado que possuam comércios ou redes de serviços informais para a instalação do equipamento. Acabam optando por um experimento com lavadores de carro numa região comercial da cidade de Belo Horizonte. Esses profissionais pagam para os comerciantes locais pelo uso da energia elétrica fornecida por suas lojas. O trabalho Energia compartilhada, além de por em questão os mecanismos de partilha energética em escala territorial, promove, em escala local, a autonomia energética para pessoas que usam o espaço público para trabalhar. Neste experimento o muro representa apenas o suporte temporário do equipamento. Mas, como exemplo, abre-se para a possibilidade de replicação de pequenos territórios públicos de autonomia energética, que po- dem se espalhar por outros pontos da cidade, nos quais poderiam existir vários muros, além de outros suportes públicos, que disponibilizassem tecnologia de captação solar e tomadas com energia gratuita nas ruas para a utilização das pessoas de modo mais permanente.