Sem compor uma única narrativa linear, Tcharafna aborda questões relativas a conflitos históricos e fortes traços de uma cultura local, mas trazendo uma visão de quem está próximo. “A filósofa Julia Kristeva diz que todo estrangeiro esconde um segredo: a vida que ele deixou para trás. A viagem foi um jeito de tentar investigar o segredo do meu pai, que emigrou há 60 anos”, explica Mohallem.
Ao fotografar e filmar, Mohallem assume sua proximidade e laços afetivos com o espaço: Fakiha, região do nordeste libanês onde realizou sua residência artística, é o local de origem da família do artista. “Nessa primeira visita à origem, fui posto em contato com pedaços de mim que nem sabia existir”, afirma.
A comunidade libanesa que atualmente vive no Brasil é maior que a população do Líbano – são quase 10 milhões de libaneses e descendentes em território brasileiro, contra cerca de 4 milhões residentes do país de origem. Intrigado com o sentimento de pertencer ao Líbano e ao mesmo tempo recusá-lo, seu objetivo era abordar essa relação ambígua com a pátria, bem como sentimentos ambivalentes de identificação e rejeição.